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Pagou o mínimo da fatura? Entenda a armadilha do rotativo

O rotativo do cartão é o crédito mais caro do país. Uma pequena dívida vira uma bola de neve em meses. Veja como sair.

A armadilha que se veste de solução

A fatura chega alta. Você não consegue pagar o total. O banco, então, te oferece uma "gentileza": pague só o mínimo. Parece um alívio. Não é. É a porta de entrada para o crédito mais caro que existe no Brasil — o rotativo do cartão.

Como funciona o rotativo, sem enrolação

Quando você paga menos que o valor total da fatura, o saldo restante entra no crédito rotativo. Sobre esse saldo o banco cobra juros que hoje giram em torno de 13% a 15% ao mês — em alguns casos mais. Convertendo em anual, ultrapassa 400% ao ano. Não existe outro crédito legal tão caro no país.

Exemplo real:

  • Fatura de R$ 1.000. Você paga o mínimo de R$ 150.
  • Ficam R$ 850 no rotativo.
  • Em 1 mês, viram cerca de R$ 975.
  • Em 3 meses, viram cerca de R$ 1.290.
  • Em 6 meses, mais de R$ 1.900.

É isso que quer dizer "bola de neve".

Por que a dívida "explode"

Dois motivos que se somam:

  1. Juros sobre juros: o valor do mês anterior já vem com juros embutidos. No mês seguinte, os juros novos são calculados sobre esse total inchado.
  2. Fatura nova: enquanto isso, você continua usando o cartão. Novas compras se somam ao saldo antigo, e o mínimo do mês seguinte fica ainda maior.

Em poucos meses, você paga o mínimo religiosamente e mesmo assim a dívida aumenta.

A regra dos 30 dias — pouca gente sabe

Desde 2017, o banco só pode te manter no rotativo por 30 dias. Passou disso, é obrigado a te oferecer um parcelamento da fatura com juros menores (ainda caros, mas normalmente menos da metade do rotativo). Isso é lei — Resolução 4.549 do Banco Central.

O que fazer: ligue no banco (ou vá no app) e peça o "parcelamento da fatura" ou "parcelamento do rotativo". Você tem direito. Não aceite "não posso, senhor". Peça protocolo.

O plano prático para sair do rotativo

  1. Pare de usar o cartão hoje. Guarde. Se precisar, corte. Enquanto ele for opção fácil, o buraco cresce.
  2. Peça o parcelamento da fatura no banco. Escolha o menor prazo que caiba no seu orçamento — quanto maior o prazo, mais juros no total.
  3. Se o parcelamento oferecido ainda for salgado, cotize um empréstimo pessoal em 2 ou 3 bancos e use o dinheiro para quitar o cartão. Só troque de dívida se a nova taxa for claramente menor.
  4. Se você tem imóvel ou carro quitado, o crédito com garantia costuma ser bem mais barato. Use com cuidado — se não pagar, perde o bem.
  5. Portabilidade de dívida é seu direito. Se outro banco oferecer taxa menor, você pode migrar a dívida sem pagar taxa por isso.

O que NÃO fazer

  • Nunca pague só o mínimo. Se está apertado, negocie parcelamento. Mínimo é sinal vermelho.
  • Não faça saque no cartão. Cobra juros de rotativo desde o dia 1 — pior que a fatura.
  • Não peça "empréstimo pré-aprovado" do próprio cartão sem comparar. Costuma ter juros parecidos com o rotativo.
  • Não caia em "portabilidade" oferecida por ligação suspeita. Portabilidade real você mesmo pede no banco novo.

Como saber se seus juros estão altos demais

O Banco Central publica todo mês as taxas médias de cada modalidade. Consulte em bcb.gov.br. Se o que te cobram é bem acima da média, é motivo forte para renegociar ou trocar de credor.


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